O Eu Histórico

A história do "Eu" surgiu por volta do século XIX que foi ganhando força por volta do séc. XX e XXI. Na metade do séc. XX, havia padrões para que as pessoas sejam consideradas civilizadas, como seguir o cristianismo(católico), ser homem, branco, hetero na Europa Ocidental. As outras pessoas que não se encaixavam nestas descrições eram consideradas inferiores, assim sendo excluídas por gênero, religião e raça. As diferenças humanas foram hierarquizadas e diminuindo as outras pessoas para justificar a exploração dos continentes da África e na Asia. 

Como os povos Africanos e Asiáticos tinham os seus valores, que estava fora do padrão da Europa Ocidental sendo considerados inferiores. Ao decorres da Era Colonial, que começou por volta de 1890 a 1962, tendo a Guerra da Argélia no primeiro momento e seu fim em 1974, devido as guerras de libertação de Angola, Guine Bissau e Moçambique, essa diferença da sociedade era justificada em termos de raça. Essas características biológicas, que evidencia a diversidade humana, mas consideradas inferiores pela Europa Ocidental, que controlavam a mão de obra e as terras dos povos considerados não brancos. Com essa visão, em um momento posterior, a ciências biológicas e sociais revelaram ser equivocadas que teria raças mais evoluídas do que outras. Por conta desse cenário pode-se dizer que dois conflitos mundiais, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) no sec. XX, tiraram milhões de vida, evidenciados pelo racismo (discriminação pela raça), xenofobia (fobia ao estrangeiro) e a intolerância religiosa. 

Com o fim do conflito Mundial resulta a crise política e social, milhões de pessoas que foram oprimidas, baseados na hierarquia das raças, como a colônia dos estados da Asia e África, na Europa e na América Latina, a população afro-americana e indígenas intensificaram as lutas pelos direitos civis e o fim do racismo.

Refletindo sobre o “Eu Histórico” nos embasaremos em uma das questões indagadas pelo autor Hampâté Bâ, que nos diz o seguinte “Quem somos nós?” 

Para entender um pouco mais sobre “quem nós somos” pegamos um trecho também do autor Milanês que diz: “Quantas pessoas existem dentro de uma mesma pessoa?” Essa frase de início nos gera uma certa dúvida, o que nos remete a um pensamento criado pelo autor de entendermos nossa própria história, entendendo como é o nosso eu e o nosso eu dentro de nós. 

Amadou tivera uma vida, desde seu nascimento, um tanto quanto racista, pois desde sua infância se era imposto o que fazer ou dizer, como se portar ou vestir apenas por conta de sua cor. Foi aí então que o Malinês entendeu e começou a estudar a sua história, e mais ainda, indagar profundamente seu eu dentro de uma história racista, dentro de uma sociedade racista. 

Em seu livro “A noção da pessoa na África Negra” ele faz diversas indagações e aborda sua empatia à igualdade divergente da questão. “O ser não é um ser monolítico e limitado, mas sim, um ser complexo que está sempre em movimento” diz Amadou. Ele nos mostra que o ser humano é um ser dentro de outro ser, pois ele vai além de apenas rótulos, ideais constituído por uma sociedade racista, preconceituosa e de desigualdade. Não podemos olhar para o próximo e nem para nós mesmos com os olhos de quem julga e abomina, mas sim entender que todos os seres são ainda assim, seres humanos, e que não há motivo para que se haja comparação ou rivalidade pelo que tem ou deixa de ter, pelo que é ou deixa de ser. O autor nos ensina que o ser está em constante mudança e julgá-lo ou reprimi-lo pelo modo em que se encontra é terrível. 

O Eu histórico se baseia no ser que é e que se conhece, que aceita que não é um ser limitado à um grupo de ideias ou de opiniões, então não cabe a nós definir ninguém a algo ou alguma coisa. 

Amadou Hampâté Bâ, foi referência de resistência em seu país, após o período da segunda Guerra Mundial que alegava que os maiores motivos eram por conta dos negros. Hampâté foi um símbolo de luta contra o racismo e a busca do Eu.